O menino não morre
Você pode ser um homem de atitude fácil, sempre haverá uma mulher que o fará parecer um menino sem atitude. É como voltar aos treze anos... Tempo em que a bebida alcoólica era Ice, que o ponto de encontro era o Matinatta, e que a matinê Laser Night era a melhor opção. Nesse tempo, ao se aproximar de qualquer menina que você quisesse beijar, era muito comum sentir um frio na barriga, e dizer o quanto você acha ela linda era quase suicídio. Esse romantismo de ensino fundamental era ainda um processo complicado. Passam meses, passam anos, pessoas aparecem e desaparecem, e você passa a carregar em si muito de cada uma delas, de cada momento, o que acrescenta na sua experiência de vida e o faz mais interessante e dominante. Entretanto, mesmo que nasça em você um novo homem, aquele menino não morre. Até que certo dia você encontra a mulher dos seus sonhos, aquela na qual você gostaria de ter ao seu lado, que tem o sorriso que faltava nos seus dias, que tem o abraço que faltava em suas noites. E você teme não ser pra ela, tudo que ela pode vir a ser pra você. Essa dúvida gera insegurança, e aquele frio na barriga volta, algo entala na sua garganta e talvez essa noite termine só em "Oi, tudo bem?" é quando você volta a ser o menino, quando volta pra casa pensando naquilo que você não falou, pensando na pergunta que você não fez e na resposta que ela não deu.
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